Aquela viagem começou atribulada.
Atrasaram-se alguns e, por pouco, não chegaríamos a tempo de embarcar naquele avião.
Tudo estava organizado para que, no meio do divertimento, da aventura, da boa disposição, aquela gente aprendesse a olhar também para a Terra com os olhos dos que viam as crateras, as fajãs, as fumarolas e aqueles basaltos carregadinhos de brilhos verdes, como se de pedras preciosas se tratasse!
As Ilhas foram aparecendo rodeadas do encanto de quem contava as histórias vividas há muitos anos, quando o tempo ainda dava para viver amores, sonhar vidas a construir e ouvir as cagarras que acompanhavam o dedilhar da viola, ao por do sol!

Mas, a emoção maior foi chegar ao Pico!
Tudo naquele lugar era mágico!
Não sei como conseguiste transmitir-nos, sem palavras, todas as vivências dessa Ilha, encoberta pela neblina da paixão intensamente vivida e posta a descoberto quando, com as lágrimas teimosas a brilhar, vimos o sol raiar e fazer deslocar "o chapeú", mostrando-nos a agulha esguia daquele pico! Apenas um pico basáltico! Mas aquele Pico conseguiu unir-nos num êxtase que nunca esqueceremos!
Ainda hoje me pergunto o que foi que nos contagiou e nos fez entender o teu (e, também, nosso) silêncio na despedida, a vontade de voltar e a ternura com que todos passámos a referir-nos àqueles lugares!
Há momentos assim!