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sexta-feira, 18 de março de 2011

Homenagem ao sol!



Bendito fim de semana!

Se tudo correr bem, o brilhozinho deste sol continuará a aquecer-nos.

A malfadada "crise" continuará a pairar por tudo quanto é televisão e jornal, as caras conhecidas, sempre dispostas a "sofrer na cruz" por nós, lá estarão, os grandes comerciantes continuarão a sua guerra e nós continuaremos a fazer contas, a inventar caminhos de poupança e a abençoar o sol que ainda nos aquece!

Bem, um dia isto tem que mudar!

Ficamos à espera do "D. Sebastião" ou fazemos com que mude?

Eu não gosto de esperar.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Joana

Hoje conheci a Joana.
Engenheira civil, vinte e poucos anos, madrinha do pequeno Miguel, o sobrinho, filho do irmão mais velho.
O pai está reformado. A mãe trabalha durante a manhã, almoça a correr, quando tem tempo e "voa" para Coimbra para poder prestar à Joana o apoio de que precisa.
Deitada ao meu lado, quando as 14:30 h se aproximam, a Joana faz-me sinal para que lhe diga as horas, e diz "Mãe, a Mãe"
Aos poucos fui percebendo o essencial da história.
A Joana teve um acidente, fez uma factura cervical que a atirou para o limiar da vida.
Vários meses em coma mas a Mãe ali esteve. Sempre!
Justiça seja feita, toda a família, tanto quanto percebi, esteve sempre ao lado da Joana.
É impressionante observar o evoluir desta menina!
Da Joana que, naquele dia fatídico se deixou arrastar para uma ribanceira, separa-a, apenas, alguns quilos, uma melhor coordenação motora, o reflexo da deglutição e pouco mais.
Quem a vir percebe que não demorará muito mais!
Os amigos estão por cá todos os dias ( e são muitos) o Miguel está em várias fotos que a madrinha vê, atentamente, todos os dias, a família apoia, o pessoal médico e de enfermagem não a largam e a Mãe continua a "voar" todos os dias, às 14:30 h (mais coisa menos coisa...) para ver a sua menina evoluir todos os dias.
Boa sorte Joana!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vazio


Espero-te. Não vens, eu sei!
Vais dando notícias, cada vez mais raramente, com mais pressa.

Isto vai-me passar, não  vai?
Esta vontade de querer saber sempre de ti, de pensar em ti, de querer saber o que fazes, como estás!

Como se faz para passar?
O que se põe nesse lugar vazio?

O tempo! Pois o tempo!
Faz-me lembrar outras perdas! É o tempo, dizem!
Como se o tempo pudesse tirar as dores, ocupar os espaços, tirar as memórias que não queremos perder!

E é igual. Sempre igual!
Devagar, muito devagar, começamos a ver a distância a aumentar, como se as pessoas começassem a caminhar, devagar, sempre a caminhar, devagar .... e nós ficamos imóveis, a vê-los ir, sem nos pudermos mexer, querendo correr, impedi-los de se afastarem, mas algo (alguém, alguma coisa) nos (os) impede de encurtar o afastamento!

Como se faz para passar?

sábado, 3 de abril de 2010

Um passo, uma flor!

Hoje é dia de colocar uma flor!
No jantar que preparámos para os filhos (os meus e os que os meus escolheram!), recordámos as coisas boas que nos ensinaste a fazer!
Foi engraçado percebermos que nos lembramos dos pormenores, das expressões ternurentas que usavas para qualificares cada um de nós (a "doninha" era a mais pequena, a tua pequenita!). Lembrámos, também, as histórias que contavas e rimos (rimos, mesmo!) das partidas que pregavas quando querias "arreliar" a avó!

Pois, à mesa, alguém que nunca te conheceu, riu connosco, ouviu os mais novos falar de ti e, à noite, quando todos rumaram aos seus destinos, comentou: Era um Homem extraordinário! E vocês amam-no muito!

Deixo-te uma flor! Mais uma!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Memórias



O sol hoje trouxe a magia das memórias!
Tenho saudades!

Do sol vermelho, das corridas de papagaios de papel, dos amigos cúmplices que ajudavam a esconder o cigarro proibido, ...enfim! Tenho saudades!

Tenho saudades das tardes junto ao rio, dos passeios a pé com o pretexto de observarmos as aves dos mangais!

Tenho saudades da lua, grande, que víamos a brilhar por cima da canízia que cobria a laguna e alojava os ninhos das graças vermelhas!

Tenho saudades.
Da vida, de ti, de mim, do que ainda farei!

terça-feira, 2 de março de 2010

...

Nem sempre conseguimos escapar às rasteiras que a vida nos prega! Por vezes, tropeçamos, caímos e as nódoas negras com que ficamos, acabam por nos obrigar a parar.

Depois, devagarinho, vamos tentando recuperar.

Claro que as dores não passam logo. Pois não. Mas é preciso acreditar que passarão!

Quero acreditar. Por isso, escolhi depositar uma flor por cada passo que conseguir avançar, por cada etapa que vencer, por cada vez que consiga pensar em ti com alegria!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Deixaste-me

Deixaste-me afagar-te a testa
Sentir as rugas que foste ganhando

Deixaste-me beijar-te o rosto
Sentir o teu sorriso terno

Deixaste-me velar o teu sono
Sentir as tuas dores

Deixaste-me ...

...resta-me ...

Sentir a saudade que cresce, cresce, cresce.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Amor

 (Este texto, escrevi-o em 14 de Setembro de 2007)

Hoje lembrei-me muito de ti!
Somos tão egoístas quando crescemos!
Alguma coisa na vida me fez perder a capacidade de demonstrar alguns sentimentos e emoções de que, no entanto, me orgulho.

Lembro-me de quando me ias acordar para vermos, juntos, o nascer o sol!
Lembras-te? Ouvíamos os pássaros a cantar e tu chamavas-me a atenção para alguns que levavam no bico os ramitos para fazerem os ninhos!

E aquelas férias em que fomos, só nós, de comboio?

Em todos os momentos difíceis estiveste comigo. Normalmente, calado. Nunca precisámos de muitas palavras.

Sabes, sempre tive tanto orgulho em te acompanhar.
Continuo a ter. Mesmo quando já não sabes quem sou ou quando me repetes frases sem sentido.



Mas eu sei que não querias que fosse assim.
E isso é o que mais dói.
Não poder preservar a imagem forte, dinâmica e protectora que construíste nas nossas vidas.
Mas é assim que te lembrarei, prometo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Desabafo!

Um dia o País acordou com a notícia de que várias burlas, negócios escuros e processos pouco lícitos teriam provocado a falência de um Banco. (confesso que nunca tinha ouvido falar do dito!)

Alguém foi detido, sujeito a interrogatórios e acusado de ter enriquecido … a esposa ou melhor, a ex-esposa!
Parece que há outros responsáveis.
No entanto, ninguém é culpado até que tal se prove.
Até lá, uns quantos clientes aparecem a reclamar o seu dinheiro que, tudo indica, poderá ter ido parar a uma qualquer conta na Suíça, em nome de uma qualquer ex-esposa!
Mas nada está perdido.
O Estado Português salvará a situação.
Nacionaliza o Banco na falência e, num abrir e fechar de olhos, milhões de euros (nossos) vão parar aos cofres do Banco!
(nossos????, nossos????, pois! Meus, teus, nossos!!!!)
Algum tempo (e milhões de euros) depois, o Banco já não está na bancarrota. Já começou a recuperar. Parece que já consegue “caminhar sozinho”.
Pois bem, está na hora de Privatizar!
Moral da estória: Nacionalizar a miséria, privatizar o sucesso! (com os nossos euros!!!)
E…
O déficit do País aumenta. É preciso contenção!
A palavra de  ordem é “Reduzir despesas, aumentar a produtividade”
E começa, aqui, a NOSSA MISSÃO!
Criemos “ESCOLAS DE EXCELÊNCIA” onde, a baixo custo, se consigam muitos diplomas!
Esta é a primeira etapa!
Depois de conhecida a receita do sucesso, há que investir na divulgação dos resultados:
”A Escola A é uma Escola de Excelência! Muitos diplomas, boas notas, muita procura”
Voltemos, então, à Moral da estória: Nacionalizar a miséria, privatizar o sucesso!
Então, um dia, faremos parte de Um Grande Grupo: Continente, Feira Nova, Espírito Santo, Mellos, Amorins…
Quem sabe estaremos a pedir : “compre o livro da Passára” ou “arredonde a sua conta”, “vá lá, seja bonzinho, ajude os pobrezinhos, temos a obrigação de apoiar as escolas normais que nunca serão de Excelência!”

domingo, 29 de novembro de 2009

Filho




Mãe, Picasso
Tenho orgulho, sim!

A verdade é que muitos foram os momentos em que te senti longe, a crescer, a fugir ...
Muitos foram os momentos em que a angústia me invadiu por não saber se os caminhos que pude mostrar-te seriam os melhores.
Muitos foram os momentos em que a dúvida me encheu o peito quando te vi a pisar o risco, sem saber se saberias manter o equilíbrio.

Mas agora, caminhas com firmeza em direcção aos teus sonhos e, apesar de estares tão longe, sinto-te aqui, pertinho de mim!

Tenho orgulho, sim!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Aniversário


Passa um ano, mais outro, mais outro...

E a memória daquele dia regressa,
Envolta na nostalgia
Que só as coisas boas nos deixam!

Guardados num pote de encanto,
Os detalhes saboreiam-se
Com a intensidade que ainda nos permitimos!

Passa um ano, mais outro, mais outro ...

Um dia, que nunca lembras, mas que sempre recordas!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Inverter o sentido das águas


 
Pablo Picasso


Pudesse eu ...

Voltar à margem do rio,
Ao caminho sombrio,
À janela de onde se via o vale,
Ao castelo...

Pudesse eu...

Dar-te a liberdade,
Fazer-te voar,
ver as estrelas que brilham todo o dia
E ver-te sorrir!

Pudesse eu...

Transportar a loucura
Que nos faz vencer todas as barreiras,
Construir todas as estórias
viajar por todos os sonhos!

Pudesse eu...

E a vida serias tu!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A Vida


Que procuras, afinal?

O conforto do silêncio
A tranquilidade da solidão

Pensar sem turbilhão
Pensar, apenas
E encontrar o que sempre tiveste ao alcance da mão!

O caminho faz-se caminhando...
Mas as escolhas difíceis continuam lá, em cada curva, em cada subida íngreme.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Riacho



Se pedras não existissem no teu caminho, não saberias cantar!


A leveza e a força associam-se, fazendo-te ultrapassar todos os obstáculos e levando-te a atingir os objectivos que, em cada momento, defines.


A luta contínua que travas sem que ninguém perceba, vai-te dando o brilho, a vida e a beleza que ostentas para que possamos, ao comtemplar-te, encontrar o equilíbrio!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Mudanças...

Quando, aos trinta anos, perante uma qualquer dor de costas, comentamos, a sorrir, “É velhice!”, os amigos confirmam a ironia e, muitas vezes, acrescentam “Não te trates, não!”. Por outro lado, os menos amigos, ficam esperançados de que alguma coisa de verdade exista nesse nosso comentário!
À medida que o tempo passa e que os, cada vez mais de cinquenta anos vão pesando, a reacção, perante o nosso mesmo comentário, vai-se alterando.
Os menos amigos têm, agora com uma crescente tranquilidade, a certeza de que a nossa afirmação é bem verdadeira! Os amigos, curiosamente aqueles que nos deviam saber fazer aceitar a realidade, começam a dizer-nos “Tem juízo, estás agora velha! Deste um mau jeito, com certeza!”
É nesta altura que percebemos quanto o envelhecimento contraria os esteriótipos de uma sociedade que quer, à viva força, prolongar (às vezes, para além do razoável) a esperança de vida e adiar o aparecimento das marcas que nos enfeitam o rosto e a alegria de podermos gerir um tempo que sabemos já diminuto mas que, também por isso, queremos aproveitar para voltar a brincar!

sábado, 14 de junho de 2008

Guardador de Rebanhos

(...)

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Partilha

Hoje apetece-me dizer-vos que estou feliz!

Cada vez tenho mais a certeza de que naquele lugar, no cimo do monte, de onde posso avistar o campo atravessado pelo rio, a casa com o alpendre onde cantarão os espanta-espíritos, será uma realidade!



O sol irá acordar-me em cada manhã.
As cegonhas, ao longe, executarão para mim aquele voo planado de quem quer cativar a atenção do seu amor! Nos ninhos, os pequenitos virão espreitar-me os netos que poderão brincar, sem restrições, na eira larga e soalheira.

Poderei descer devagar, sempre devagar, até à aldeia e à beira do rio inventar, em cada dia, o jardim.

As ervas aromáticas, as cores misturadas, os cheiros do jasmim multiplicar-se-ão para que te continue a ouvir tocar ao entardecer

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Amor nos três pavimentos

Eu não sei tocar, mas se você pedir
Eu toco violino fagote trombone saxofone.
Eu não sei cantar, mas se você pedir
Dou um beijo na lua, bebo mel himeto
Pra cantar melhor.
Se você pedir eu mato o papa, eu tomo cicuta
Eu faço tudo que você quiser.


Você querendo, você me pede, um brinco, um namorado
Que eu te arranjo logo.
Você quer fazer verso?
É tão simples!... você assina
Ninguém vai saber.
Se você me pedir, eu trabalho dobrado
Só pra te agradar.


Se você quisesse!... até na morte eu ia
Descobrir poesia.
Te recitava as Pombas, tirava modinhas
Pra te adormecer.
Até um gurizinho, se você deixar
Eu dou pra você...


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O paraíso

Um dia de sol e este espelho d'água brilha de tal forma que não conseguimos tirar dele os olhos!
Ao longe, os ninhos das cegonhas enchem o horizonte e, lá do alto, observam esta Ria que se percebe cada vez com mais vida.

Prometeste-me um passeio de canoa pelo emaranhado dos canais que se estendem até ao mar.
À vara, para não afugentar a bicharada, deslizaremos no esteiro onde, junto à margem, a canízia alta abrigará o nosso abraço.

É bom perceber que ainda há lugares assim!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Abril


Lembro aquele dia em que cheguei ao Liceu e ouvi o Luís e a Alexandra, com a emoção contida, dizerem-me baixinho, "Agora é que foi! Desta vez não foi como as Caldas!"

Tenho a certeza que nenhum de nós percebia bem o significado do que se estava a passar! Mas se não era "como as Caldas" então só podia ser bom!


Ainda hoje, ao recordar, não consigo conter a emoção!

Foram tempos de intensa aprendizagem, em que fomos percebendo, agora e só agora, a dimensão do passo de gigante que este País foi capaz de dar!


Passámos meses, estudando, trabalhando voluntariamente, reconstruindo, ouvindo histórias de vida inimagináveis, CRESCENDO!


Depois veio a desilusão, o conformismo, o sentimento da incapacidade de mudar mas ficou a consciência!


E essa vai fazendo renascer, a cada passo, a certeza de que é "A força de estarmos unidos" que nos fará legar aos nossos filhos um País em que "agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu!"