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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Confissão

Esperei...

Esperei que percebesses a dor no olhar,
Os gestos contidos, as palavras que ficam engasgadas.

Senti saudade...

Da lua, da sombra, do reflexo na água...
Do cheio a maresia.

Achei que vinhas ...

O caminho era curto,
O calor espreitava, as memórias eram recentes.

Mas...
Nada é o que devia ser!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vazio


Espero-te. Não vens, eu sei!
Vais dando notícias, cada vez mais raramente, com mais pressa.

Isto vai-me passar, não  vai?
Esta vontade de querer saber sempre de ti, de pensar em ti, de querer saber o que fazes, como estás!

Como se faz para passar?
O que se põe nesse lugar vazio?

O tempo! Pois o tempo!
Faz-me lembrar outras perdas! É o tempo, dizem!
Como se o tempo pudesse tirar as dores, ocupar os espaços, tirar as memórias que não queremos perder!

E é igual. Sempre igual!
Devagar, muito devagar, começamos a ver a distância a aumentar, como se as pessoas começassem a caminhar, devagar, sempre a caminhar, devagar .... e nós ficamos imóveis, a vê-los ir, sem nos pudermos mexer, querendo correr, impedi-los de se afastarem, mas algo (alguém, alguma coisa) nos (os) impede de encurtar o afastamento!

Como se faz para passar?

sexta-feira, 5 de março de 2010

Memórias



O sol hoje trouxe a magia das memórias!
Tenho saudades!

Do sol vermelho, das corridas de papagaios de papel, dos amigos cúmplices que ajudavam a esconder o cigarro proibido, ...enfim! Tenho saudades!

Tenho saudades das tardes junto ao rio, dos passeios a pé com o pretexto de observarmos as aves dos mangais!

Tenho saudades da lua, grande, que víamos a brilhar por cima da canízia que cobria a laguna e alojava os ninhos das graças vermelhas!

Tenho saudades.
Da vida, de ti, de mim, do que ainda farei!

domingo, 29 de novembro de 2009

Filho




Mãe, Picasso
Tenho orgulho, sim!

A verdade é que muitos foram os momentos em que te senti longe, a crescer, a fugir ...
Muitos foram os momentos em que a angústia me invadiu por não saber se os caminhos que pude mostrar-te seriam os melhores.
Muitos foram os momentos em que a dúvida me encheu o peito quando te vi a pisar o risco, sem saber se saberias manter o equilíbrio.

Mas agora, caminhas com firmeza em direcção aos teus sonhos e, apesar de estares tão longe, sinto-te aqui, pertinho de mim!

Tenho orgulho, sim!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Aniversário


Passa um ano, mais outro, mais outro...

E a memória daquele dia regressa,
Envolta na nostalgia
Que só as coisas boas nos deixam!

Guardados num pote de encanto,
Os detalhes saboreiam-se
Com a intensidade que ainda nos permitimos!

Passa um ano, mais outro, mais outro ...

Um dia, que nunca lembras, mas que sempre recordas!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Inverter o sentido das águas


 
Pablo Picasso


Pudesse eu ...

Voltar à margem do rio,
Ao caminho sombrio,
À janela de onde se via o vale,
Ao castelo...

Pudesse eu...

Dar-te a liberdade,
Fazer-te voar,
ver as estrelas que brilham todo o dia
E ver-te sorrir!

Pudesse eu...

Transportar a loucura
Que nos faz vencer todas as barreiras,
Construir todas as estórias
viajar por todos os sonhos!

Pudesse eu...

E a vida serias tu!

sábado, 14 de junho de 2008

Guardador de Rebanhos

(...)

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Amor nos três pavimentos

Eu não sei tocar, mas se você pedir
Eu toco violino fagote trombone saxofone.
Eu não sei cantar, mas se você pedir
Dou um beijo na lua, bebo mel himeto
Pra cantar melhor.
Se você pedir eu mato o papa, eu tomo cicuta
Eu faço tudo que você quiser.


Você querendo, você me pede, um brinco, um namorado
Que eu te arranjo logo.
Você quer fazer verso?
É tão simples!... você assina
Ninguém vai saber.
Se você me pedir, eu trabalho dobrado
Só pra te agradar.


Se você quisesse!... até na morte eu ia
Descobrir poesia.
Te recitava as Pombas, tirava modinhas
Pra te adormecer.
Até um gurizinho, se você deixar
Eu dou pra você...


Vinícius de Moraes

terça-feira, 18 de março de 2008

A noite



Da janela daquele quarto via-se o castelo. Iluminado parecia pairar no céu.

Na torre quase se via a Princesa que esperava, ansiosamente, pelo cavalo branco que lhe traria um cavaleiro louro, esbelto, valente!


Que bom poderem ali estar, inventando estórias de príncipes e princesas como se a vida fosse um conto de fadas!

Aquele lugar mágico haveria de guardar os momentos de amor mas também as lágrimas da despedida, as promessas que sabiam não poderem ser cumpridas e a esperança, sempre viva, que permitia que a vida pudesse continuar!


Antes de partirem, espreitaram pelo telescópio à procura daquela estrela que os uniria no sonho partilhado há tanto tempo.

Outras noites, outros sítios, outras emoções vieram. No entanto, aquele castelo pairando no céu ainda hoje lhes ilumina a alma quando os olhares, discretamente, se cruzam!

domingo, 2 de março de 2008

Recomeçar...

Recomeça...
Se puderes, sem angústia e sem pressa...

Miguel Torga


Basta um sonho, um abraço, uma carícia!


O sorriso regressa espontaneamente,
A força retorna trazendo o alento da esperança
E o sonho, cada vez mais nítido, é quase realidade!


A vida nasce!