sexta-feira, 18 de abril de 2008

Caixa do correio

Publicidade do supermercado, da nova sapataria, da exposição de móveis, dos “curandeiros milagrosos”, envelopes cheios de prémios que estamos quase a ganhar e mais umas tantas cartas não se sabem bem de quem enchem todos os dias a caixa de correio cá de casa mesmo quando temos o cuidado de PEDIR que não coloquem tanto lixo!

No correio electrónico são as mensagens que se não reenviarmos nos trarão anos de infortúnio, os spam vindos de todo o lado e os alertas de vírus horríveis que estão (há já vários anos!) prestes a chegarem através do mail de um amigo!

O que vale é que, no meio de tanta coisa, lá chega um mail amigo para nos alegrar!
E como este me fez rir, decidi partilhá-lo convosco. Aqui vai:

Notícias confirmadíssimas!!!! (Decidi retirar a referência ao órgão de comunicação social por não me parecer essencial)


Durante um relato de futebol:
“Chega agora a informação… o jogador que há pouco saiu lesionado sofreu uma fractura craniana num joelho” - mais um desafio para os médicos portugueses!!!!




Notícias na Televisão:

“Um morreu e o outro está morto” – pois!!!!
“Foi assassinado mas não se sabe se está morto” – que tal se lhe perguntassem?




“ O assassino matou 30 mortos” – seria para confirmar que ficavam bem mortos?


“As chamas estavam a arder” – fantástico!
“É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos” – uma nova espécie para o herbário nacional!
“Estão zero graus negativos” – para que conste!


Notícias na Rádio:
“Quatro hectares de trigo queimado. Em princípio trata-se de um incêndio” – mais valia confirmar não vá tratar-se de uma inundação!!!!!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Histórias de encantar

Acordou cedo, com a sensação de que os dias, agora mais curtos, mereciam ser vividos com maior intensidade.
Começou por realizar, rapidamente, as tarefas de rotina que tinha a seu cargo. Disporia, depois, de algum tempo para poder dedicar aos pequenos projectos que há muito tinha em mente.

Rever velhos amigos, escondidos naquelas caixas de papelão que mantinha no sotão, era hoje o grande objectivo.

Já lhe custava subir as escadas mas encontrou uma preciosa ajuda no neto que, entretanto, tinha chegado da escola. Juntos transportaram as duas caixas para junto da janela onde a esperava a cadeira de baloiço, o gato, a mesinha com os óculos e o xaile de que já não podia prescindir. O neto brincava a pouca distância mas sempre atento ao que ela ia tirando das caixas."Papéis velhos! Passas a vida a mexer em papéis velhos, avó!"

Sorriu. Eram mesmo velhos! Tão velhos que os tinha que desdobrar com muito cuidado para conseguir que não se rasgassem. Muitas vezes tinha querido desfazer-se de tanta velharia. No entanto, cada vez lhe custava mais seleccionar o que não queria. Cada um daqueles papéis lhe trazia à memória um pedacinho de Vida.
Olhou o neto, com ternura, e respondeu: "Pois é! Mas estes papéis velhos contam-me tantas histórias!"

"Então, porque não fazes um livro? O meu pai podia contar-me essas histórias à noite, quando vou para a cama! Ele diz sempre que não sabe nenhuma!"
"Vou pensar nisso. Mas logo à noite, quando o pai te for deitar, pede-lhe que te conte a história da Princesa que vivia no castelo de areia! Vais ver que essa ele sabe!"
"Sabe? Tens a certeza? Ele nunca me falou dessa história! Porque não ma contas tu, avó?"
"Porque essa é a história que só os pais e as mães podem contar aos seus filhos. Eu já a contei ao teu pai.
Agora é a vez dele ta contar."

O pequeno calou-se. Iria esperar que o pai chegasse para lhe recordar que também ele tinha gostado que todas as noites a mãe lhe contasse uma história!

E aquela era especial porque, todos os dias, o mar levava a Princesa e o seu Castelo para lugares estranhos, longínquos, sempre diferentes, onde era preciso inventar um Príncipe que pudesse trazer de volta a Princesa e o seu Castelo!

Bem, o resto dos papéis velhos ficariam para o dia seguinte!
Afinal, hoje foi capaz de reviver, com intensidade, todos os Príncipes que foi inventando, ao longo de tantas noites, e que fizeram adormecer o seu pequeno Rei!
Seria ele capaz de reinventar aquelas histórias e de embalar com elas aquele pequenito?

Por certo, acrescentaria alguns adornos. Quem sabe se o mar não os levava para outra dimensão de onde só sairiam se fossem capazes de inventar um GPS especial, que recolhesse dados dos satélites de outra galáxia e os conectasse com o seu Mac onde já tinham instalado aquele programa extraordinário que os libertaria das amarras virtuais e os faria vencer as barreiras do tempo!


Nessa altura, já o menino dormiria profundamente! Mas o pai continuaria a sonhar!

segunda-feira, 31 de março de 2008

A vida sem humor não tem graça!


Ele : Finalmente! Custou tanto esperar por este momento.
Ela : Queres que me vá embora?
Ele : Não! Nem penses nisso.
Ela : Amas -me?
Ele : Claro! muito e muito ..
Ela : Alguma vez me traíste?
Ele : Não, porque ainda perguntas ?!
Ela: Beijas - me?
Ele : Sempre que possível.
Ela : Vais - me fazer sofrer?
Ele : Achas! Eu não sou desse tipo de pessoa.
Ela : Posso confiar em ti?
Ele : Sim.
Ela : Querido!



Lindo não é?

Ora agora, experimentem ler de baixo para cima!!!!


sexta-feira, 21 de março de 2008

Memória

Aquela viagem começou atribulada.



Atrasaram-se alguns e, por pouco, não chegaríamos a tempo de embarcar naquele avião.



Tudo estava organizado para que, no meio do divertimento, da aventura, da boa disposição, aquela gente aprendesse a olhar também para a Terra com os olhos dos que viam as crateras, as fajãs, as fumarolas e aqueles basaltos carregadinhos de brilhos verdes, como se de pedras preciosas se tratasse!



As Ilhas foram aparecendo rodeadas do encanto de quem contava as histórias vividas há muitos anos, quando o tempo ainda dava para viver amores, sonhar vidas a construir e ouvir as cagarras que acompanhavam o dedilhar da viola, ao por do sol!



Mas, a emoção maior foi chegar ao Pico!



Tudo naquele lugar era mágico!




Não sei como conseguiste transmitir-nos, sem palavras, todas as vivências dessa Ilha, encoberta pela neblina da paixão intensamente vivida e posta a descoberto quando, com as lágrimas teimosas a brilhar, vimos o sol raiar e fazer deslocar "o chapeú", mostrando-nos a agulha esguia daquele pico! Apenas um pico basáltico! Mas aquele Pico conseguiu unir-nos num êxtase que nunca esqueceremos!



Ainda hoje me pergunto o que foi que nos contagiou e nos fez entender o teu (e, também, nosso) silêncio na despedida, a vontade de voltar e a ternura com que todos passámos a referir-nos àqueles lugares!



Há momentos assim!

terça-feira, 18 de março de 2008

A noite



Da janela daquele quarto via-se o castelo. Iluminado parecia pairar no céu.

Na torre quase se via a Princesa que esperava, ansiosamente, pelo cavalo branco que lhe traria um cavaleiro louro, esbelto, valente!


Que bom poderem ali estar, inventando estórias de príncipes e princesas como se a vida fosse um conto de fadas!

Aquele lugar mágico haveria de guardar os momentos de amor mas também as lágrimas da despedida, as promessas que sabiam não poderem ser cumpridas e a esperança, sempre viva, que permitia que a vida pudesse continuar!


Antes de partirem, espreitaram pelo telescópio à procura daquela estrela que os uniria no sonho partilhado há tanto tempo.

Outras noites, outros sítios, outras emoções vieram. No entanto, aquele castelo pairando no céu ainda hoje lhes ilumina a alma quando os olhares, discretamente, se cruzam!

domingo, 9 de março de 2008

Fomos 100 mil!

Partimos cedo. Saímos com a ansiedade de chegar e mostrar que é tempo de nos fazermos ouvir.
Já éramos muitos à partida mas à chegada, a força cresceu.
Cresceu ao vermos o rio de gente que, de todos os pontos deste País, confluía àquela Praça.

A emoção tomou conta de alguns, especialmente daqueles que ainda se lembram de terem descido aquela Avenida, num 1º de Maio, quente, muito quente, com a alegria a brilhar em todos os rostos, com todas aquelas bandeiras rubras que nunca esqueceremos!

Mas Lisboa não se lembra de ver tanta gente assim!

Hoje as bandeiras são de várias cores. Hoje estão, lado a lado, PESSOAS que não se conhecem, que nunca se viram, mas que juntam as vozes no mesmo protesto, nos mesmos lamentos, na mesma indignação!
Mas, afinal, o que quer esta gente?

Apenas, serem ouvidos, respeitados, reconhecidos.

Vai mal um País que não reconhece nos seus educadores o mérito de fazerem crescer gerações de cidadãos capazes de, em cada instante, o (re) Construirem!
Mas vai muito pior um País que, depois do que ouviu dos seus educadores, não for capaz de juntar todas a vozes e exigir o respeito que eles lhe merecem!

Fomos 100 mil.

“Havemos de ser mais, eu bem sei!”

domingo, 2 de março de 2008

Recomeçar...

Recomeça...
Se puderes, sem angústia e sem pressa...

Miguel Torga


Basta um sonho, um abraço, uma carícia!


O sorriso regressa espontaneamente,
A força retorna trazendo o alento da esperança
E o sonho, cada vez mais nítido, é quase realidade!


A vida nasce!