segunda-feira, 26 de maio de 2008

Partilha

Hoje apetece-me dizer-vos que estou feliz!

Cada vez tenho mais a certeza de que naquele lugar, no cimo do monte, de onde posso avistar o campo atravessado pelo rio, a casa com o alpendre onde cantarão os espanta-espíritos, será uma realidade!



O sol irá acordar-me em cada manhã.
As cegonhas, ao longe, executarão para mim aquele voo planado de quem quer cativar a atenção do seu amor! Nos ninhos, os pequenitos virão espreitar-me os netos que poderão brincar, sem restrições, na eira larga e soalheira.

Poderei descer devagar, sempre devagar, até à aldeia e à beira do rio inventar, em cada dia, o jardim.

As ervas aromáticas, as cores misturadas, os cheiros do jasmim multiplicar-se-ão para que te continue a ouvir tocar ao entardecer

terça-feira, 20 de maio de 2008

O Inferno ou o Paraíso?

Esta anda por aí na net! Não resisti em trazê-la!

O Primeiro Ministro de ...(um País à beira-mar plantado!) ao circular, tranquilamente, é atropelado por um condutor das corridas da Ponte Vasco da Gama e morre, ali, na hora!
A alma chega ao Paraíso e dá de caras com São Pedro, na entrada.


-"Bem-vindo ao Paraíso!"- diz São Pedro - "Antes que você entre, há um problemazito...
Raramente vemos Políticos por aqui, sabe... então não sabemos bem o que fazer consigo."


-"Não vejo problema nenhum, basta deixar-me entrar", diz a alma do falecido.

"Eu bem que gostaria de o deixar entrar, senhor Engenheiro, mas tenho ordens superiores... Sabe como é... Vamos fazer o seguinte:
O Senhor passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Depois pode escolher onde quer passar a eternidade."
-"Não é necessário, já resolvi. Quero ficar no Paraíso" - diz o Primeiro Ministro.


-"Desculpe, mas temos as nossas regras. "

Assim, São Pedro acompanha-o até o elevador e ele desce, desce, desce até ao Inferno.
A porta abre-se e ele vê-se no meio de um lindo campo de golfe.
Ao fundo, o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado.
Todos muito felizes, em traje social.
Ele é cumprimentado, abraçado e todos começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos à custa do povo.
Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, um tipo muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas.
Eles divertem-se tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora.
Todos se despedem com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.
Ele sobe, sobe, sobe e a porta abre-se outra vez. São Pedro está à espera dele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso.
Ele passa 24 horas no paraíso, junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando.
Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia chega ao fim e São Pedro retorna.
-" E então??? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.
Agora escolha a sua casa eterna."


Ele pensa um minuto e responde:
-"Olhe, eu nunca pensei ... vir a tomar esta decisão... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar muito melhor no Inferno."


Então São Pedro, abanando a cabeça, leva-o de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até ao Inferno.
A porta abre-se e ele vê-se no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo e com um cheiro horrível.
Vê todos os seus amigos com as roupas rasgadas e muito sujas catando o entulho e colocando-o em sacos pretos; repara que por vezes os amigos se pegam, na disputa de pedaços de comida podre.
O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do Primeiro Ministro.


-" Não estou a entender?!", - gagueja o Governante - "Ontem mesmo estive aqui e havia um lindo campo de golfe, um clube, lagosta, caviar e nós dançámos e divertimo-nos tanto! Agora só vejo esse fim de mundo, cheio de lixo mal cheiroso e os meus amigos totalmente arrasados!!!"

O diabo olha para ele... sorri ironicamente e diz:
-"Ontem estávamos em campanha.
Agora, que conseguimos o seu voto... eis a realidade"

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Amor nos três pavimentos

Eu não sei tocar, mas se você pedir
Eu toco violino fagote trombone saxofone.
Eu não sei cantar, mas se você pedir
Dou um beijo na lua, bebo mel himeto
Pra cantar melhor.
Se você pedir eu mato o papa, eu tomo cicuta
Eu faço tudo que você quiser.


Você querendo, você me pede, um brinco, um namorado
Que eu te arranjo logo.
Você quer fazer verso?
É tão simples!... você assina
Ninguém vai saber.
Se você me pedir, eu trabalho dobrado
Só pra te agradar.


Se você quisesse!... até na morte eu ia
Descobrir poesia.
Te recitava as Pombas, tirava modinhas
Pra te adormecer.
Até um gurizinho, se você deixar
Eu dou pra você...


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O paraíso

Um dia de sol e este espelho d'água brilha de tal forma que não conseguimos tirar dele os olhos!
Ao longe, os ninhos das cegonhas enchem o horizonte e, lá do alto, observam esta Ria que se percebe cada vez com mais vida.

Prometeste-me um passeio de canoa pelo emaranhado dos canais que se estendem até ao mar.
À vara, para não afugentar a bicharada, deslizaremos no esteiro onde, junto à margem, a canízia alta abrigará o nosso abraço.

É bom perceber que ainda há lugares assim!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Abril


Lembro aquele dia em que cheguei ao Liceu e ouvi o Luís e a Alexandra, com a emoção contida, dizerem-me baixinho, "Agora é que foi! Desta vez não foi como as Caldas!"

Tenho a certeza que nenhum de nós percebia bem o significado do que se estava a passar! Mas se não era "como as Caldas" então só podia ser bom!


Ainda hoje, ao recordar, não consigo conter a emoção!

Foram tempos de intensa aprendizagem, em que fomos percebendo, agora e só agora, a dimensão do passo de gigante que este País foi capaz de dar!


Passámos meses, estudando, trabalhando voluntariamente, reconstruindo, ouvindo histórias de vida inimagináveis, CRESCENDO!


Depois veio a desilusão, o conformismo, o sentimento da incapacidade de mudar mas ficou a consciência!


E essa vai fazendo renascer, a cada passo, a certeza de que é "A força de estarmos unidos" que nos fará legar aos nossos filhos um País em que "agora ninguém mais cerra as portas que Abril abriu!"

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Caixa do correio

Publicidade do supermercado, da nova sapataria, da exposição de móveis, dos “curandeiros milagrosos”, envelopes cheios de prémios que estamos quase a ganhar e mais umas tantas cartas não se sabem bem de quem enchem todos os dias a caixa de correio cá de casa mesmo quando temos o cuidado de PEDIR que não coloquem tanto lixo!

No correio electrónico são as mensagens que se não reenviarmos nos trarão anos de infortúnio, os spam vindos de todo o lado e os alertas de vírus horríveis que estão (há já vários anos!) prestes a chegarem através do mail de um amigo!

O que vale é que, no meio de tanta coisa, lá chega um mail amigo para nos alegrar!
E como este me fez rir, decidi partilhá-lo convosco. Aqui vai:

Notícias confirmadíssimas!!!! (Decidi retirar a referência ao órgão de comunicação social por não me parecer essencial)


Durante um relato de futebol:
“Chega agora a informação… o jogador que há pouco saiu lesionado sofreu uma fractura craniana num joelho” - mais um desafio para os médicos portugueses!!!!




Notícias na Televisão:

“Um morreu e o outro está morto” – pois!!!!
“Foi assassinado mas não se sabe se está morto” – que tal se lhe perguntassem?




“ O assassino matou 30 mortos” – seria para confirmar que ficavam bem mortos?


“As chamas estavam a arder” – fantástico!
“É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos” – uma nova espécie para o herbário nacional!
“Estão zero graus negativos” – para que conste!


Notícias na Rádio:
“Quatro hectares de trigo queimado. Em princípio trata-se de um incêndio” – mais valia confirmar não vá tratar-se de uma inundação!!!!!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Histórias de encantar

Acordou cedo, com a sensação de que os dias, agora mais curtos, mereciam ser vividos com maior intensidade.
Começou por realizar, rapidamente, as tarefas de rotina que tinha a seu cargo. Disporia, depois, de algum tempo para poder dedicar aos pequenos projectos que há muito tinha em mente.

Rever velhos amigos, escondidos naquelas caixas de papelão que mantinha no sotão, era hoje o grande objectivo.

Já lhe custava subir as escadas mas encontrou uma preciosa ajuda no neto que, entretanto, tinha chegado da escola. Juntos transportaram as duas caixas para junto da janela onde a esperava a cadeira de baloiço, o gato, a mesinha com os óculos e o xaile de que já não podia prescindir. O neto brincava a pouca distância mas sempre atento ao que ela ia tirando das caixas."Papéis velhos! Passas a vida a mexer em papéis velhos, avó!"

Sorriu. Eram mesmo velhos! Tão velhos que os tinha que desdobrar com muito cuidado para conseguir que não se rasgassem. Muitas vezes tinha querido desfazer-se de tanta velharia. No entanto, cada vez lhe custava mais seleccionar o que não queria. Cada um daqueles papéis lhe trazia à memória um pedacinho de Vida.
Olhou o neto, com ternura, e respondeu: "Pois é! Mas estes papéis velhos contam-me tantas histórias!"

"Então, porque não fazes um livro? O meu pai podia contar-me essas histórias à noite, quando vou para a cama! Ele diz sempre que não sabe nenhuma!"
"Vou pensar nisso. Mas logo à noite, quando o pai te for deitar, pede-lhe que te conte a história da Princesa que vivia no castelo de areia! Vais ver que essa ele sabe!"
"Sabe? Tens a certeza? Ele nunca me falou dessa história! Porque não ma contas tu, avó?"
"Porque essa é a história que só os pais e as mães podem contar aos seus filhos. Eu já a contei ao teu pai.
Agora é a vez dele ta contar."

O pequeno calou-se. Iria esperar que o pai chegasse para lhe recordar que também ele tinha gostado que todas as noites a mãe lhe contasse uma história!

E aquela era especial porque, todos os dias, o mar levava a Princesa e o seu Castelo para lugares estranhos, longínquos, sempre diferentes, onde era preciso inventar um Príncipe que pudesse trazer de volta a Princesa e o seu Castelo!

Bem, o resto dos papéis velhos ficariam para o dia seguinte!
Afinal, hoje foi capaz de reviver, com intensidade, todos os Príncipes que foi inventando, ao longo de tantas noites, e que fizeram adormecer o seu pequeno Rei!
Seria ele capaz de reinventar aquelas histórias e de embalar com elas aquele pequenito?

Por certo, acrescentaria alguns adornos. Quem sabe se o mar não os levava para outra dimensão de onde só sairiam se fossem capazes de inventar um GPS especial, que recolhesse dados dos satélites de outra galáxia e os conectasse com o seu Mac onde já tinham instalado aquele programa extraordinário que os libertaria das amarras virtuais e os faria vencer as barreiras do tempo!


Nessa altura, já o menino dormiria profundamente! Mas o pai continuaria a sonhar!